Gostei desta citação assim que a vi. Mas há uns dias - quando a encontrei perdida entre outros papéis na minha confusão, escrita com a minha própria letra - achei que devia ser ao contrário (e que me perdoe Olavo Bilac, lá em cima ou onde estiver!)... Saudades: ausência dos presentes. Porque temos saudade do que está presente na nossa memória.
Tenho imensas saudades de muita coisa - não querendo isso dizer que quero de alguma forma voltar atrás no tempo. Não quero. Mas "enche-me o coração" recordar bons momentos e pessoas queridas.
"Só" falta o quase... Estou na fase ambígua em que quero que o tempo passe depressa para me sentir livre, e que ao mesmo tempo passe muito devagar para poder rever todos os pormenores!
Pessoal, dentro em breve terei mais tempo para dedicar a este espacito - espero! (Não sei se isso são boas ou más notícias! Digam-me! Estou à espera, obrigada!)
... a música continua actual. As mensagens em torno da liberdade de cada um e do respeito pelo outro, valorizando as vivências livres de materialismo, essas, fazem cada vez mais sentido nos tempos que correm.
Lembrei-me da estória do "salvamento" que fiz no apartamento ao lado... ou melhor: do susto que apanhei há uns meses! Talvez dos maiores dos últimos tempos.
Estava eu a arranjar-me para sair, quando começo a ouvir um estardalhaço lá fora, no prédio, que me pareceu escadas abaixo! Um estardalhaço dos grandes - sim senhor! - mas impossível de descodificar!
No momento em que se fez silêncio, imagino-me com cara de desconfiança amedrontada a ecoar"Mas o que é que foi isto?! O que foi isto?!"de sobrancelhas franzidas. E como resposta às perguntas que me atacaram de rompante, recomeça o estrondo - e desta vez até à minha porta! Eu, que entretanto ia a caminho para ver se vinha alguém a cair escada abaixo (ou alguma coisa pesadíssima), fiquei na dúvida se devia continuar quando o fragor começou a bater-me à porta...
Mas logo percebi que estardalhaço e fragor não tinham a mesma origem e resolvi arriscar - cheia de medo, numa coragem duvidosa - e dei de caras com a senhora do apartamento em frente, que fugia como o Diabo da cruz, em pânico. No meio da confusão, lá percebi que o estardalhaço vinha da cozinha alheia e que o monstro que assombrava o momento de silêncio era... [tchan-tchan-tchan-tchaaaan]... a máquina de lavar roupa! Ia em fuga das suas tarefas e a atacar tudo e todos com jactos de água! Enquanto os vizinhos de cima tentavam também eles decifrar o mistério e a senhora explicava e acalmava, lá fui eu, armada em MacGyver - esse génio que nos acompanha a todos - desligar o contador da água.
E posto isto, a minha campainha tocou, para descer, pedi licença porque tinha mesmo que ir e saí.
Quando voltei, fui confirmar se já estava tudo resolvido - a senhora ficou admirada pelo meu regresso e agradeceu-me por não ter entrado em pânico e ter poupado mais litros de água para limpar.
Hoje cruzámo-nos e lembrei-me do episódio, quando me reconheceu como a "Menina do apartamento em frente".
Há poucos dias surgiu aquela dúvida. E realmente não é fácil de responder. Porque é o tudo e é o nada de tudo o que eu possa tentar dizer... É o que eu sinto por ti e o que sentes por mim, disse – e disso não tenho qualquer dúvida. “E o que é o amor?”
Mas sim, é verdade que tu és Mãe e eu sou filha e que há amores diferentes. E o outro?
O outro... Diria “os outros”. Porque (pelo menos eu) vivo de e por amor à minha volta. E não é bom sentirmo-nos queridos pelos que nos rodeiam? Eu acho que sim, e digo mais – na rua, no café, na caixa de super-mercado ou no semáforo que não abre onde está alguém a pedir ou a entregar qualquer coisa, eu sinto um dos diferentes tipos de amor, daqueles que não trocava por nada, porque me faz sentir viva e tantas vezes me enche o coração. É o amor pela partilha, pelo dom de podermos entrar na rotina do dia-a-dia uns dos outros e mudarmos qualquer coisa, nem que seja um sorriso. Isso não é amor? Dou e recebo em troca em dobro todos os dias, e acho que é mesmo por isso que não me lembro “do outro” tipo de amor.
Já nem falo da Família e Amigos. Esse tipo de amor que aquece o coração nos dias frios e sombrios. Mas isso toda a gente sabe... “Do outro” tipo é que não sabem – pelo menos, eu acho que não, porque quase todos os dias me perguntam por ele e eu esforço-me por não me lembrar que ele existe. E é difícil! Muito.
O “outro” tipo é aquele que toda a gente gosta de perguntar. To-da a gen-te! – como se fosse uma doença grave, é impressionante... E quando uma pessoa está sozinha porque quer, porque não quer ficar com alguém só porque sim, isso então... explicado ninguém acredita! Gosto especialmente quando o meu Pai me pergunta “Então?! Já tens namorado novo e não me queres dizer?” Respondo-lhe e diz-me “Abre os olhos... abre os olhos!” Mas o problema é mesmo esse, acho. Abri os olhos tanto, mas tanto, que vi o que não queria ver por aí. Depois de ter aberto o coração, o que é um problema para voltar a acreditar em algo que não o evidente – e as evidências estavam lá quando abri bem os olhos.
O meu amor “do outro” tipo foi arrumado, selado e arquivado. Antes disso, tinha-o posto num envelope devidamente endereçado, com um selo dos outros, e enviei-o... Mas esperei, esperei, e foi-me devolvido. Sem resposta. Voltou para trás. Mudou de morada. Porque eu sei que não morreu – estava bem vivo quando o arquivei. Agora está trancado a sete chaves numa gaveta de arquivo, e não sei se algum dia vai ser encontrado outra vez.
Talvez se torne um mito e ninguém tenha a certeza de que alguma vez existiu. (É provável. Que não chegue a mito.) Mas eu sei que sim. (E tu também.)
Como disse, é o tudo e é o nada de tudo o que eu possa tentar dizer.
Notas: .NÃO ao novo acordo ortográfico! .Perdoem-me, mas eu também tenho insónias de vez em quando, e tenho que me entreter! .“Perdoem-me” não me agrada muito visualmente, parece que está mal escrito, mas acho que não... seja como for, com isto do novo acordo ortográfico, também já não devo ter a certeza – hei-de procurar! (há de ser hei de procurar a partir de agora... que horror!)
Não gosto desta sensação, a de hoje. Liguei a televisão e vi que tinha havido um sismo de 8,9 na escala de Richter no Japão à mesma hora - pensei... espero que tenha sido esta a razão para a estranha sensação, ou que seja tudo uma simples coincidência. A verdade é que ainda não me sinto descansada!
"A razão pode advertir-nos do que é preciso evitar; só a intuição nos diz o que há que fazer." Joseph Joubert
Já todos ouvimos falar na intuição em vários momentos... seja a maternal (em que existem milhares de relatos), seja até no mais vulgarmente divulgado 6º sentido, caracterizado como mais feminino. As investigações e estudos não param e continuam a ser exploradas as capacidades do nosso cérebro - afinal já há muito que se dizia (Sim, dizia! Ler aqui, s.f.f!) que só utilizamos 10% das mesmas.
Carl Jung caracterizou-a de forma simples (melhor dizendo... simplificada - porque tudo o que é relacionado com a mente, consciente ou inconsciente, de simples não tem nada!):"Intuition (is) perception via the unconcious".
Há um novo brilho em cada olhar ao virar da esquina, que veio com os primeiros raios de sol mornos durante as tardes, já mais longas.
Todos sabemos que é sol de pouca dura, mas ninguém parece resistir ao seu encanto! Os pássaros estão ainda mais despassarados, os gatos mais engatatões, há piscares de olhos que deixam uns e outros sem jeito ou resposta.
Gosto.
As pessoas sorriem mais e durante breves instantes... esquecem a crise, Sócrates, a situação na Líbia, ou no Egipto, as súbitas (e cada vez mais constantes) subidas de preços, e todo o género de problemas que é possível ouvir todos os dias, mesmo numa simples mesa de café, como prato do dia. Por momentos, o único interesse é o instinto, que é tão verdadeiro e que não vem mascarado, apesar da época.
Depois passa, mas - pelo menos – houve breves instantes em que o brilho foi outro, e no entretanto, ganha-se novo fôlego para a luta do dia-a-dia.
“There is nothing like returning to a place that reminds unchanged to find the ways in which you yourself have altered.”
Nelson Mandela
Acho que ainda vou a tempo de vos desejar um grande ano novo...
Andei "ausente", mais uma vez, mas realmente as ideias não foram muitas enquanto outros projectos e situações (não tão boas) e inesperadas surgiram ao mesmo tempo!
Espero não me ausentar por tanto tempo desta vez...
Ainda não percebi porque continuam as pessoas a misturar ideias relacionadas com o sistema em que vivemos, e preconceitos... Perceber, percebi - mas faz-me uma enorme confusão! Custa-me saber que há pessoas que não são tratadas como pessoas só porque passam a ser categorizadas de acordo com um qualquer estereotipo.
Afinal... somos “todos diferentes, todos iguais” [ou alguns nem pararão um minuto para pensar realmente no que é que isso quer dizer? (Maltidos umbigos...)]
(Ok: temos todos o direito de não gostar deste ou daquele, mas não de enxovalhar ou desrespeitar sem um motivo plausível...)
Ontem quatro miúdas marcaram o meu dia. Não eram umas miúdas quaisquer... Passaram, a comer chupa-chupas, enquanto estava distraída na conversa e fizeram questão de despertar a minha atenção com uma frase solta que ninguém esperaria. Mas não estavam à espera que lhes respondesse... muito menos que a minha Mãe e eu continuássemos a conversar com elas.
A mais pequena tinha 8 anos e as mais velhas 10. Eram primas. Tinham um “nome verdadeiro” e outro “mentiroso”.
Carolina. Maria. Marta.Joana.
Os verdadeiros.
Perguntei pela escola.(Na escola tinham que usar o “verdadeiro”... mas em casa, era o “mentiroso” que contava!)Já sabiam ler mais ou menos... só Carolina lia melhor, que já estava no 3º ano.
A Maria disse-me muito eufórica que ia ter um mano, e que a Carolina ia ter uma mana.
Falavam todas ao mesmo tempo e queriam fazer tantas perguntas que quase nem me davam “espaço” para lhes fazer eu algumas.
Os olhos brilhavam de entusiasmo.
A certa altura, depois de 2 minutos de conversa, e de lhes fazermos um elogio, ficaram encavacadas... A mais velha, Marta, com uns grandes olhos num tom azul esverdeado, disse, quase como se se sentisse na obrigação, depois de uma trinca no chupa-chupa, com um olhar distante e embaraçado, “mas nós somos ciganas...”.
Aquela frase foi dura de ouvir.
Logo a seguir contaram como “no outro dia um senhor estava a brincar com um irmão de uma e, quando percebeu que era cigano, largou logo a criança”.
Sim... as pessoas tornam-se ridículas a este ponto.
Custou ainda mais explicar que não devem ligar a pessoas que lhes digam “coisas más” só porque são ciganas. Acho que a partir do momento em que nos disseram que eram ciganas e que perceberam que não lhes íamos virar as costas sem mais nem menos, ficaram outra vez contentes (e nós é que estávamos sem grandes palavras, pelo momento anterior...).
Só as desiludi, acho, quando perceberam que não era casada. Disseram-me que devia ser - algo tristes - porque já tinha mais de 20...
Ri-me e perguntei-lhes “vocês já sonham em casar, é? já têm namorados?” Ao que me responderam que sim, “temos todas” a rir - com um ar que eu chamo de malandreco, que é algures entre o malandro e o envergonhado.
Este foi o último tema da nossa conversa de pouco mais de 5 minutos...
Passei por elas de carro logo a seguir, e disse-lhes adeus.
Ficaram a dizer-me adeus até eu virar no final da rua – eu vi-as pelo retrovisor a sorrir e aos saltos.